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Sem acesso a residência universitária, acadêmicos da UFAM/Parintins podem abandonar faculdade

Sem acesso a residência universitária, acadêmicos da UFAM/Parintins podem abandonar faculdade Foto: Reprodução. Notícia do dia 29/11/2019

Parintins (AM) - Devido a rejeição no pedido de moradia na Residência Universitária (RUNI), acadêmicos do Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia, ICSEZ, da Universidade Federal do Amazonas, Ufam/Parintins, poderão abandonar o curso no município.

 

Mesmo com quartos vagos na RUNI, a direção da UFAM negou o pedido de cerca de 15 acadêmicos que estão em Parintins, mas que são oriundos de outros municípios, portanto, não tem residência fixa na Ilha Tupinambarana. À princípio, a justificativa seria a ausência de documentos comprobatórios.

 

A situação afeta, por exemplo, a acadêmica Caroline Nogueira, 30, natural de Barreirinha e cursando o 1° período de Zooctenia. Ela mora de favor na casa de uma amiga da mãe dela e tem que ajudar no pagamento de luz. Ela não tem renda e não pode trabalhar devido aos horários das aulas. Ela informa que além de toda burocracia, a Ufam exige muitos documentos em um curto prazo de tempo. “Eu me sinto desamparada pela universidade, que tem espaço e não disponibiliza pra gente”, desabafa.

 

Arlindo Agosto, 22, é de Maués e está em Parintins a mais de um ano cursando Zooctenia. Ele gasta R$400,00 de aluguel mais água, luz e alimentação. O universitário tentou uma vaga na RUNI, mas também teve o pedido negado. Segundo ele, o processo de seleção dos acadêmicos “é demorado e não atende aqueles que realmente precisam”. Ele afirma que essa situação compromete a continuidade nos estudos, uma vez que a grande maioria dos universitários é de renda baixa.

 

Os acadêmicos que tiveram seus pedidos indeferidos se reuniram e formalizam um documento, pedindo revisão e uma nova oportunidade para regularizar a situação documental. O representante discente da Ufam/Parintins, Arcenildo Souza, protocolou o relatório junto à direção do ICSEZ. Arcenildo conta que “são coisas simples que poderiam ser resolvidas se houvesse boa vontade pra que eles pudessem de fato ter esse direito de estar na Casa do Estudante”.

 

Resposta da UFAM

 

De acordo com a pedagoga e diretora de Assistência Estudantil da UFAM, Mônica Cristina Barbosa, o indeferimento no auxílio dos alunos “ocorreu por falta de perfil exigido ou por falta de documentos, informações inconsistentes”. Segundo ela, “os editais de seleção são publicados previamente, estabelecendo tempo para que o (a) estudante se aproprie do conteúdo”.

 

Questionada sobre a possibilidade de novos editais, uma vez que a residência ainda dispõe de vagas, Mônica Cristina informa: “estamos em momento de construção de política de assistência estudantil, que necessitará da participação ativa de todos os profissionais da assistência estudantil. Assim, não posso afirmar que se terá condições de abertura de novo Edital para RUNI, neste momento”, revela.

 

O reitor da UFAM, Sylvio Pulga, preferiu não entrar em detalhes neste caso, uma vez que a DAEST, Departamento de Assistência Estudantil, é o setor específico para atender essa demanda. Mas disse estar aberto a conversa e encontrar soluções para a problemática.

 

Texto: Eldiney Alcântara