No sábado (23), os funcionários do hospital informaram que o bebê ocupa a 13ª posição na lista de transferência para Manaus. Foto: Arquivo Pessoal
Notícia do dia 25/11/2019
Yanna mora no interior do Amazonas com o esposo e uma filha de sete anos. Segundo ela, no sábado (23), os funcionários do hospital informaram que o bebê ocupa a 13ª posição na lista de transferência para Manaus em um avião do Governo. Porém, a mulher teme que a espera seja longa e suficiente para causar a morte do recém-nascido.
"Eu tive o meu bebê com 33 semanas de gestação, ou seja, oitavo mês. O meu parto estava previsto para o início de janeiro, em cirurgia cesariana. Porém, acabei dando à luz antes do previsto, no Hospital Jofre Matos Cohen, também em Parintins, e depois fui transferida junto com o bebê para o Padre Colombo. Por conta do nascimento precoce, meu filho necessita de cuidados especiais. Ele respira com o auxílio de aparelhos, pois está diagnosticado com insuficiência respiratória. Hoje, por volta do meio-dia, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e agora fica com o corpo tremendo o tempo todo", descreve angustiada a mãe.
A mulher conta que esta é a segunda gestação de risco. "Na gravidez anterior, meu bebê sobreviveu por 34 semanas dentro do útero. No entanto, ele nasceu antes do previsto e morreu. Na época, em dezembro do ano passado, dependemos do mesmo apoio de transporte por parte do Governo, que não veio, e meu bebê morreu. Estou desesperada em busca de apoio para que isto não ocorra novamente. Eu quero muito meu filho vivo e estou lutando por isso cada segundo aqui dentro desse hospital", frisou.
O recém-nascido de Yanna, morto em dezembro de 2018 após o parto, foi diagnosticado com um tipo de cardiopatia (doença cardíaca que afeta o coração e os vasos sanguíneos). Ela conta que, assim como Caio Neris, o bebê também necessitou de cuidados especiais que não são disponibilizados no hospital de Parintins.
"A equipe médica aqui é boa, não tenho do que reclamar quanto ao atendimento prestado. Porém, há casos que necessitam de cuidados especiais, uma maior atenção e também equipamentos de alta tecnologia para um bom diagnóstico e tratamento. Então, o hospital já sinalizou para que a transferência em uma aeronave de saúde do Estado seja realizada, mas dependemos da fila de espera, e nessas condições em que meu filho está, todo entubado, temo que ele não aguente - assim como o meu outro bebê não aguentou", lamenta a dona de casa.
Yanna ressalta que o filho precisa receber cuidados médicos em uma Unidade de Trauma Intensivo Neonatal, mas em Parintins ela foi informada pelos funcionários do hospital de que não há nenhuma. "Conforme os médicos, o tratamento pode ser realizado em Manaus. Peço a todos que compartilhem esse meu apelo e lutem, junto comigo, pela vida do meu filho", conclui a mulher, ressaltando que a família não tem condições de pagar por conta própria a transferência em uma aeronave particular.
Quem quiser ajudar a família na transferência do bebê até Manaus, em uma aeronave com condições adequadas para este tipo de procedimento, pode entrar em contato com a família pelo número: (92) 99121-4363.
Susam
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) informou que o recém-nascido está internado na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) do Hospital Padre Colombo, em Parintins, recebendo todos os cuidados médicos necessários, enquanto aguarda a remoção para uma unidade de referência em Manaus.
A Susam ressalta, ainda, que o município de Parintins recebeu cinco UCIs neonatais no hospital Padre Colombo, onde a criança recebe todo suporte de vida avançado, com tecnologia igual ou superior ao apresentado na capital.
“Desde a instalação dos equipamentos, a necessidade de transferência de recém-nascidos prematuros foi reduzida em 50% no município. O Sistema de Transferências de Emergências Reguladas (Sister), que realiza as remoções, atende todo o interior e a prioridade na transferência aérea é definida pelo médico regulador, conforme a gravidade de cada paciente”, detalha a pasta.
Ainda segundo a Susam, é importante destacar que as remoções também dependem de fatores externos, como condições climáticas, distância/tempo de deslocamento, autorização da ANAC para voos, dentre outros, impactando diretamente no quantitativo de remoções diárias de pacientes do interior para a capital.
Isac Sharlon/Portal Em Tempo.