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Amazonas tem aumento de 64% em novos casos de Covid em novembro

Fundação de Vigilância em Saúde relaciona alta com período chuvoso. Foram mais de 2 mil novos casos no mês, enquanto outubro registrou 1,3 mil.

Amazonas tem aumento de 64% em novos casos de Covid em novembro FOTO: Divulgação Notícia do dia 02/12/2021

O Amazonas registrou um aumento de 64% nos novos casos de Covid-19 no mês de novembro, em comparação com o mês anterior. A Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) relacionou a influência do período chuvoso com a alta.

 

Conforme boletins epidemiológicos da FVS, em outubro, 1.312 novos casos foram registrados. Em novembro, esse número saltou para 2.156.

 

Apesar do aumento de novos casos, o número de mortes registradas em novembro teve uma diminuição. Foram 47 novas mortes em outubro, contra 33 mortes registradas em novembro.

 

A FVS informou ao g1, em nota, que o período chuvoso que o estado enfrenta é sazonalidade para Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAGs) e facilita a transmissão de vírus respiratórios, influenciando no aumento em casos de Covid-19.

 

"Durante o período chuvoso, as pessoas tendem a ficar mais tempo em locais fechados que podem resultar em aglomeração e ausência de distanciamento social. A FVS já emitiu o alerta por meio de nota técnica para as secretarias municipais de saúde reforçando a sensibilidade da vigilância na rede hospitalar para o aumento previsto de SRAG para esta época", informou o órgão.

 

O epidemiologista Jesem Orellana informou que a alta de novos casos aponta que o vírus ainda está circulando entre a população e que é preciso ter cuidado para que não surja novas variantes.

 

"Os dados nos dizem que a situação não está totalmente controlada e que o jogo pode virar com uma variante que tenha características evolutivas que se adaptem a esse novo cenário. Uma quantidade grande de pessoas vacinadas, mas que ao mesmo tempo estão voltando a se expor de uma forma parecida com um comportamento antes da pandemia", comentou Orellana.

 

Com este cenário, a orientação do epidemiologista é de que as autoridades mantenham as medidas de prevenção contra a Covid-19, mesmo com o avanço da vacinação, e que a população também continue a cumprir o uso de máscaras e distanciamento social.

 

"Os cuidados precisam ser reforçados, como o uso de máscaras, aglomerações, vacina e lembrar do principal de tudo. Vacina não faz milagre sozinha. Não sabemos até quando a vacina pode segurar essa conta da epidemia em Brasil, no Amazonas e em Manaus. Uma hora pode estourar essa bolha. Será que vai ser a ômicron? Será que vai ser outra variante?", questionou.

 

Variante ômicron - Uma nova variante do coronavírus, a ômicron, está em circulação no mundo. Na segunda-feira (29), a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que a nova cepa representa um risco muito alto para o planeta e pediu que os países acelerem a vacinação dos grupos prioritários.

 

A ômicron é considerada de preocupação, pois tem 50 mutações, sendo mais de 30 na proteína "spike" (a "chave" que o vírus usa para entrar nas células e que é o alvo da maioria das vacinas contra a Covid-19).

 

Nesta terça (30), autoridades sanitárias holandesas afirmaram que a variante já estava presente na Holanda no dia 19 de novembro - uma semana antes do que se acreditava e antes da OMS classificar como variante de preocupação.

 

Um gráfico do jornal "Financial Times", que compara a velocidade de transmissão da ômicron com outras já conhecidas, ganhou espaço nas redes sociais.

 

Segundo especialistas, ele mostra que o ritmo de transmissão da variante é superior ao de outras, inclusive as já famosas, como a delta, mas, ao mesmo tempo, os dados se referem exclusivamente à África do Sul, onde é baixo o percentual de pessoas vacinadas.

 

Réveillon e Carnaval - Orellana comentou ainda que eventos como o réveillon e carnaval só deveriam ser realizados quando se tiver uma melhor noção das implicações práticas de vacinação, da evolução da epidemia e também da nova variante ômicron.

 

Na segunda-feira (29), o vereador Rodrigo Guedes (PSC) entrou com uma ação na Justiça pedindo o cancelamento de festas de fim de ano e do Carnaval em Manaus. O assunto gerou discussões na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

 

A ação ajuizada pelo vereador traz como justificativas uma possível nova onda da pandemia causada pela variante ômicron e o cancelamento do Réveillon e do Carnaval de 2022 em outras cidades do Brasil.

 

Em agosto, a Prefeitura de Manaus afirmou que grandes eventos, como Natal, réveillon, Carnaval, entre outros, só voltarão a ocorrer na cidade após 70% da população acima dos 18 anos receber as duas doses da vacina contra a Covid-19.

 

Em outubro, o governo informou que havia iniciado negociações com a Prefeitura de Manaus para a realização do réveillon e do Carnaval de 2022. Uma queda significativa nos números de casos, internações e óbitos em decorrência da doença seria o motivo para a realização, segundo o governador Wilson Lima.

 

No início do mês, a Prefeitura de Manaus anunciou que a festa de Réveillon em Manaus terá como atração nacional o cantor Luan Santana e os artistas do segmento gospel Fernandinho e Leonardo Gonçalves.

 

Mais de 160 mil pessoas ainda não se vacinaram - Dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) apontaram que Manaus tem 160.323 mil pessoas sem nenhuma dose de vacina contra a Covid-19, nesta terça-feira (30). O número é preocupante devido a circulação da variante ômicron no mundo.

 

De acordo com o vacinômetro da Prefeitura de Manaus, 73,24% já foi imunizada com, pelo menos, a primeira dose da vacina.

 

Além disso, a capital do Amazonas também tem outro número preocupante: o número de atrasados para a segunda dose do imunizante. Segundo a Semsa, esse grupo tem 325.323 pessoas.


No entanto, o vacinômetro da Prefeitura também aponta que apenas 58,90% da população da cidade concluiu o esquema vacinal, seja com a segunda dose da vacina ou a dose única da Janssen.

 

O número ainda não é o considerado ideal para iniciar flexibilizações, como, o uso de máscaras ou o fim do distanciamento social.

 

 

POR PATRICK MARQUES, G1 AM