Presidente do TJ-AM, desembargador Yedo Simões - Foto: Reprodução/Internet
Notícia do dia 16/04/2020
Da Redação
Manaus/AM - Após o governador Wilson Lima falar que não iria desistir da abertura de 400 leitos no Hospital Nilton Lins, o Tribunal de Justiça do Amazonas derrubou a decisão do juiz Cezar Luiz Bandiera, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Manaus. A nova decisão veio através do presidente do TJ-AM, o desembargador Yedo Simões
A informação foi dada em primeira mão pelo site BNC.
Os leitos estão sendo preparados para a fase mais aguda da pandemia, no hospital da Nilton Lins. A decisão do magistrado foi publicada na noite de quarta-feira (16).
Em sua apelação ao TJ-AM, o Estado argumentou que Bandiera tomou a decisão sem ouvir o governo. Argumentou também que a medida da primeira instância provocaria lesão à ordem administrativa.
“Aduz que o cumprimento da decisão gera lesão à ordem administrativa, e narra que ainda não há formalização de contrato de aluguel entre o Estado e a Fundação Nilton Lins, argumentando que iniciou a preparação do imóvel antes do término do procedimento administrativo em razão da situação de emergência e calamidade pública, o que explicaria a ausência de publicação do referido negócio no Diário Oficial”, defendeu-se o governo.
Quanto à ordem do magistrado fizesse contrato com o hospital da Beneficente Portuguesa, Yedo Simões disse em sua decisão: “Pontua que, a respeito das alegações de que o Hospital Beneficente Português deveria ter sido objeto de abordagem antes da locação de instituições privadas, o referido hospital foi consultado pela SUSAM quanto a preços de locação de leitos naquela unidade, informando que dispunha de apenas 15 (quinze) leitos de UTI, sem monitores e ventiladores”.
O presidente do TJ-AM reconheceu a defesa do governo dizendo que a lesão poderá ocorrer, mas caso o Estado seja impedido de fazer uso da estrutura da Nilton Lins.
“No caso dos autos, o risco de grave lesão ao interesse público, manifestado no dano à ordem, economia e saúde públicas, pode se materializar caso se impeça que o Estado adentre e faça uso das instalações do Hospital Nilton Lins”.
E acrescenta que é fato conhecido que o sistema de saúde do Amazonas, tanto público quanto privado, encontra-se em crise de sua capacidade de atendimento.
“É fato notório que o sistema de saúde amazonense, seja público ou privado, encontra-se em crise na capacidade de atendimento aos portadores da COVID-19. Nesse aspecto, a ampliação do Hospital Delphina Aziz não elimina a necessidade posterior de ampliação da capilaridade da rede, ante o evidente aumento no número de pessoas a necessitar de atendimento médico, o que faz surgir a necessidade de uso do referido”.