Samu está operando com capacidade no limite, segundo diretor do órgão. - Foto: AFP
Notícia do dia 06/01/2021
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) está operando no limite e não tem capacidade para atender toda a população de Manaus, informou o médico e diretor do serviço, Ruy Abrahim. Com alta de internações por Covid, Abrahim relatou ao G1 que não há ambulâncias suficientes para atender a todos, e que há também um déficit de pessoal (médicos , enfermeiros, técnicos e condutores).
O G1 entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) sobre o assunto, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
"O número de chamadas está absurdamente alto e não há como atender a todos. A prioridade é para doentes graves, com angústia respiratória. Aqueles sem comprometimento respiratório grave não devem ficar aguardando ambulância, a família tem que conseguir um transporte e levar o doente para unidade de saúde. As ambulâncias estão sendo bastante utilizadas, mais do que o corriqueiro, que já é muito. Há muitos veículos parados, aguardando manutenção", disse.
Até esta terça-feira (5), o Amazonas possui mais de 202 mil casos confirmados do novo coronavírus, com mais de 5,3 mil mortes. Diante do avanço da doença, a rede pública de saúde voltou a lotar. Nesta semana, o Estado registrou o maior número de novas internações por Covid-19 desde o início da pandemia: foram 183 pessoas hospitalizadas com a doença apenas nesta segunda.
A situação, segundo o médico, é semelhante ao período em que o Amazonas atingiu o pico da pandemia, nos meses de abril e maio. Com a rede de saúde pública superlotada, na época, doentes em Manaus passaram horas dentro das ambulâncias, em busca de um leito.
“Estamos tendo dificuldade para deixar pacientes nas unidades de saúde , pois todas dizem estarem lotadas e de fato estão mesmo. Corremos risco de ficar com pacientes dentro das ambulâncias sem ter alguém que os receba. Ambulância não é lugar para internar pacientes. Quase todas as unidades , inclusive aquelas de referência, já avisaram que não podem mais receber pacientes", disse o diretor do Samu.
De acordo com atualização mais recente da Fundação de Vigilância em Saúde (VS-AM), as UTIs públicas estão com 92% de ocupação e na rede particular essa taxa já chega a 94%. Com os hospitais lotados, as ambulâncias passam de hospital em hospital com o paciente, em busca de atendimento médico, segundo os relatos.
A técnica de Enfermagem do Samu, Miracema disse que o serviço vem enfrentando situações como as dos meses de abril e maio em Manaus, pico da pandemia.
“Ontem eu levei uma paciente de 79 anos para o SPA do Alvorada, não recebeu, médico não recebeu porque não tinha espaço, não tinha lugar, paciente saturando com 10 litros de oxigênio, saturando 88, 89 eu vim, o que deu pra cá", contou.
Amazonas entra na fase roxa da pandemia e FVS aponta 'alto risco'

2 de junho - Trabalhadores de serviços de emergência transportam paciente idoso para ambulância, em meio ao surto de coronavírus (COVID-19), em Manacapuru, Amazonas — Foto: Felipe Dana/AP
Diante do avanço da Covid-19 no Amazonas, o Estado entrou na fase roxa na pandemia, que representa alto risco, de acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS). A informação foi divulgada durante reunião entre representantes do Ministério da Saúde e representantes do Governo do Estado.
Segundo a diretora-presidente da FVS-AM, Rosemary Costa Pinto, a situação é avaliada como de alto risco, em decorrência do aumento no número de casos, internações e óbitos pela doença.
"A nossa análise de risco está apontando que nós estamos num nível muito alto, de muito alto risco, portanto, nós saímos da fase vermelha e estamos na fase roxa. Nós tivemos um crescimento entre novembro e dezembro de 120% do número de casos em Manaus, onde nós passamos de 1.573 casos pra 3.452 casos (...) hoje nós temos uma média móvel de 700 casos novos todos os dias", disse.
*Com informações do G1 Amazonas