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Familiares e amigos de indígena morto em assalto fazem protesto por justiça, em Manaus

Ato aconteceu na Associação das Mulheres Indígenas Sateré Mawé, na Compensa.

Familiares e amigos de indígena morto em assalto fazem protesto por justiça, em Manaus FOTO: Laerte Baraúna / Rede Amazônica Notícia do dia 17/12/2021

Familiares e amigos do indígena Melquesedeque Santos, morto durante um assalto na noite dessa quinta-feira (16), em Manaus, fizeram uma manifestação pedindo justiça. O ato aconteceu na Associação das Mulheres Indígenas Sateré Mawé, na Compensa.

 

O jovem era sateré mawé, tinha 20 anos e morava, desde do início da pandemia da Covid-19 na capital, com a mãe. Segundo o tio dele, Rucain Vilacio, a família recebeu a notícia por meio de mensagens em um aplicativo.

 

"Eu também trabalho na mesma loja e estava fechando a loja quando meus colegas falaram que tinham matado um colega nosso no ônibus. Depois chegou a foto do crachá e eu desabei. Não consegui acreditar no que estava vendo".

 

O indígena contou que Melquesedeque estava em contato com a mãe, contando sobre o dia de trabalho, quando deixou de enviar novas mensagens, o que despertou preocupação.

 

"Ele estava feliz porque tinha começado a trabalhar e nesse trajeto vinha conversando com a mãe por mensagem. E aí do nada ele parou de responder. Ela começou a mandar mensagem preocupada: "Cadê você meu filho? Você está demorando muito", quando um parente nosso ligou e deu a notícia para ela", contou.

 

Rucian contou que a mãe do jovem o aguardava com uma cesta básica, que tinha ganhado por ocasião do natal e que estava feliz para compartilhar a notícia com o filho.

 

"Ela estava muito feliz, e disse que tinha essa surpresa para ele, que era a cesta de natal. Ele também estava feliz, porque tinha começado a trabalhar e um dia antes tinha recebido o crachá da empresa".

 

O tio também contou que o jovem não tinha o costume de andar de ônibus, pois não conhecia a cidade. Mas, por conta da falta de dinheiro, passou a usar o transporte coletivo: "Ele não conhecia a cidade, então usava aplicativo. Só que o dinheiro começou a ficar curto e ele começou a ir e vir de ônibus".

 

Questionado sobre a personalidade do jovem, o tio contou que o menino costumava ficar em casa e ajudava a família.

 

"Era um menino muito bom, veio para Manaus nos ajudar, fazia artesanato, estava feliz porque tinha começado a trabalhar e era um menino que não saía de casa, vivia aqui conosco. Já chorei, passei a noite chorando, não tenho mais lágrimas e nem voz. Estou destruído".

 

 

Por Matheus Castro - G1 AM